Minha pequena florzinha - 04 A despedida

Minha pequena florzinha - 04 A despedida.Após a despedida no domingo, encontrei novamente a sobrinha de minha irmã, mas dessa vez foi pela internet, ela estava no messenger, não lembro como nos adicionamos, mas tivemos uma pequena conversa na segunda-feira.
Assim que notei sua presença no messenger a chamei para conversar.

- Srta., como estás? - Tentei pensar em diversas maneiras de iniciar a conversa, mas achei essa a mais simples.
- Oi lindo, tô bem. - Ela rapidamente respondeu.
- Que bom. Gostou das fotos? - Eu havia mandado as fotos que tiramos quando conversávamos no dia anterior.
- Amei. - Ela mandou algumas risadas de internet, aquelas básicas que todos utilizam e em seguida me perguntou como estava.
- Estou bem, cansado, mas estou bem. - Mandei uma risada também. - E aí, o que fez de bom hoje?
- Tadinho. Não fiz nada. - Diversas risadas foram lançadas logo após essa resposta.
- Que vida boa, hein? - Mais risadas.
- Opa, e você? Trabalhando muito? - Ela indagou para não deixar a conversar terminar.
- Trabalhei bastante mas voltei para descansar um pouco. Aproveitei e cortei o cabelo.
- Ah, não acredito! - Fiquei impressionado com sua resposta.
- Só raspei embaixo e cortei as pontas. Calma. - Soltei uma pequena risada.
- Ai, que susto... - Em seguida comentei que não teria coragem de cortar meu cabelo curto novamente, pois fora um sofrimento muito grande para chegar no comprimento que chegou.
- Ah bom, porque seu cabelo é lindo. - Fiquei muito curioso em saber onde ela conseguiu ver isso?
- Meu cabelo é lindo? O que você andou bebendo? - Comentário um tanto quanto inútil, mas engraçado. Ela respondeu que ela achava meu cabelo lindo, não entendi bem o porque.

Conversamos mais um pouco, sugeri que ela saisse para passear pela cidade, para conhecer lugares novos, diferentes, disse para pegar minha sobrinha e passear, a única resposta que obtive foi uma indagação: "Você também vai?", depois do tratamento super simpático, do comentário do cabelo e do modo como conversávamos, tive a ligeira impressão de que ela não estava muito interessada no passeio em si, senti que o interesse dela estava em minha pessoa, não que me ache o garanhão ou o gatão que fica com todas, foi a sensação que tive com nossa conversa, mas como sabia que ela tinha um namorado, preferi pensar que estava equivocado e que estava confundindo as coisas. Por isso, respondi que não poderia porque estaria trabalhando e não poderia sair em uma tarde qualquer para passear com elas, ainda insisti para ela passear para não ficar somente intocada na casa de sua tia e também é um modo de se divertir um pouco ao invés de ficar só assistindo tv trancada em um apartamento.
Depois de algum tempo ela não respondeu mais e como precisava dormir para trabalhar no dia seguinte, acabei saindo sem me despedir, antes de sair tentei falar com ela novamente, mas nenhuma resposta, então fechei e desliguei o computador e fui dormir. Fiquei pensando na conversa que tivemos e cheguei a pensar na hipótese dela estar interessada em mim, mas me fiz de rogado e não acreditei nessa possibilidade, apenas quis acreditar que ela estava sendo simpática por ter me achado um cara legal e praticamente fazer parte da família da tia dela. Não consegui enxergar aquilo como sinais de que ela estava interessada em algo maior que uma amizade.
Trabalhei arduamente durante toda semana, mal conseguia parar para pensar, mas me peguei algumas vezes tentando encontrá-la no messenger novamente, não iria ligar para conversar, não tive essa coragem ou talvez essa cara de pau, apenas me mantive no messenger tentando encontrá-la por um acaso e ter outra conversa agradável. A semana foi passando e em nenhuma outra noite pude falar com ela, como durante o dia não utilizava o messenger, não sabia se ela poderia ou não ter conectado, talvez tivesse perdido diversas oportunidades mas não ficaria sabendo até encontrá-la novamente. Chegou sexta-feira e imaginei que não conversaria mais com ela durante um bom tempo, sabia que ela iria embora na sexta ou no sábado, não sabia exatamente o dia que ela disse que partiria. Era uma sexta-feira chuvosa, tive que vestir minha capa para voltar para casa, cheguei ensopado, a capa completamente molhada, removi-a e estiquei para secá-la no sofá após ter retirado todo excesso de água. Fui para o computador, verifiquei meus e-mails e não recebi nenhum interessante, conectei o messenger e tive uma agradável surpresa ao entrar, encontrei novamente com ela, cliquei para iniciar uma conversa.
- Oi, tudo bem?
- Oi fofuxo, que saudade.
- Também fiquei, você não apareceu mais no messenger. - Comentei com uma risadinha no final.
- Eita, fiquei on o dia inteiro hoje. - Comentei que durante o dia não utilizo o messenger, somente de noite.
- O que fez de bom essa semana, linda?
- Ah, nada de bom, só assistindo clip. E você?
- Só trabalho, trabalho e trabalho. Se bem que na quarta fiz uma baladinha com amigos.
- Baladinha? Credo. Por que você está "off"?
- Para falar só com você. Se fico "on" ninguém me deixa conversar.
- Por que você não veio aqui hein?
- Ah, achei que você ficaria fofocando com minha sobrinha e outra, está chovendo muito lá fora e só tenho moto. E achei que não tinha nada a ver um tio velho com vocês duas.
- Você não é velho.
- Estou quase lá.
- Ai, eu achava que você era "" velhão.
- Achava? Sério?
- É sério, mas você é legal. Na foto não parece que você é novinho.
- Nossa, agora sou novinho? - Fiquei pensantivo nesse momento, não sabia se ficava feliz.
- Eu acho. - Comentei que o namorado dela tinha praticamente a mesma idade que a minha.
- É né?
- Detalhes pequenos da vida. - Respondi como quem não tem uma resposta. Desviei do assunto e perguntei sobre uma pessoa que havia me adicionado no orkut e parecia conhecê-la. Mas ela apenas ignorou a pergunta e continuo como se eu nem tivesse questionado sobre sua amiga. Ela comentou que não estávamos velhos, o namorado dela e eu, em seguida disse que ela é que era muito nova. Voltei a conversar como se não tivesse feito aquela pergunta.
- Vai assistir o ensaio amanhã?
- Não dá, vou embora amanhã.
- Ah, que pena, fiquei triste.
- E você nem veio pra falar tchau para mim né?
- Ah, me perdoa. Hoje foi muita correria para um dia só.
- Não, não. - Ela e a resposta dobrada que ela tinha mania de dar e ficava uma gracinha.
- Peraí que vou aí, você desce, te dou tchau e volto pra casa ensopado.
- Combinado, estou te esperando. - Ela falou isso soltando diversas risadas simbolizadas com um bichinho muito engraçado.
- Olha que eu vou hein.
- Então vem. - Mais risadas, mas agora de uma forma diferente.
- Menininha malvada. - Respondi.
- Estou brincando. Eu te entendo, não quero que fique doente por minha causa. Então fiquei aí. Tá bom? E nunca mais vai me ver. - Senti um tom bem ameaçador nesse momento.
- Olha só. - Respondi com ar de indignação.
- Nem para falar tchau pra mim? - Ela simbolizou um choro pelo messenger.
- Estou saindo. Estou chegando aí.
- Fala sério hein.
- Estou falando, só não sei chegar aí.
- Até parece.
- Ué, você não quer me dar tchau? Disse que nunca mais vou te ver.
- Quero sim, claro.
- Então, vou até aí, te dou tchau e volto para casa.
- Nossa, fica um pouco aqui né?
- É provável que eu chegue molhado, como ficarei?
- Se você ficar molhado, eu nem vou te cumprimentar hein.
- Olha só, você é muito má, não esperava isso de você.
- Estou brincando meu anjo.
- Sei.
- É sério, eu nunca faria isso com você.
- Olha, se eu fosse seu namorado, eu acreditaria. - Soltei várias risadas.
- Então você não acredita?
- Estou brincando florzinha. - Não sei de onde veio essa vontade de chamá-la de florzinha, nunca chamei ninguém assim.
- Pergunte aos seus tios se posso ir até aí.
- Minha tia disse que pode.

Após essa conversa, liguei para minha amiga praticamente irmã para pegar o endereço, já havia passado por lá umas 4 vezes em minha vida, mas sempre fui de carona com meu irmão, então nunca havia guardado de verdade como faria para chegar lá. Peguei o endereço, olhei o guia de ruas, vesti minha capa e fui ao destino dela. Debaixo de chuva, enfrentando o frio, quase não liguei para minha mãos congelando no guidão da moto, também não estava ligando para a visão que era quase nula em meio àquela chuva forte que despencava do céu.
Levei apenas 7 minutos para chegar a portaria do prédio, não sabia se era ansiedade em vê-la ou se havia abusado da velocidade de minha pobre motocicleta. Talvez tenha sido a chuva que não ajudou muito e estava me deixando com frio, mas cheguei mais rápido que o previsto, se bem que também não é um local muito longínquo. Anunciei ao porteiro que iria ao apartamento 1104, ele interfonou e perguntou meu nome, assim que o informei, perguntou novamente pois não havia entendido. Assim que ele conseguiu entender meu nome, disse que poderia subir, segui em direção aos elevadores, por um longo corredor, chamei o elevador e fiquei esperando por alguns segundos. Quando cheguei ao décimo primeiro andar, a porta do apartamento de minha irmã já estava aberta, estavam me aguardando após ser anunciado. Minha sobrinha linda veio me receber e antes de entrar, minha irmã veio a porta e informei que estava muito molhado e que molharia sua sala. Ela respondeu que não havia problema, fui até a cozinha para tirar a capa de chuva e deixamos ela pendurada por lá mesmo.
Voltei à sala, onde estava a florzinha, vestida de forma simples mas bela como sempre. Sentamos e começamos a conversar um pouco, na realidade, estava conversando com sua tia, ela apenas ficou me observando enquanto conversava com sua tia. Puxei uma conversa com ela, mas ela praticamente não abria muito sua boca, falava muito pouco, talvez tenha sido por vergonha, sua timidez era visivelmente grande. Mas mesmo assim conseguimos conversar um pouco, falamos de poucas coisas mas fora um papo bem agradável. Meu irmão chegou e resolvemos pedir uma pizza, escolhemos os sabores e minha irmã ligou para fazer o pedido, enquanto isso continuamos a conversar, agora com meu irmão também na conversa.
A pizza não demorou a chegar e isso foi uma trégua para a florzinha, todos começamos a comer mas o papo continuo a fluir vagarosamente. Parei um pouco e fiquei observando a florzinha saboreando seu pedaço de pizza, que seria o único, seu jeito delicado de comer era muito belo. Continuei a comer e a conversar com todos que estavam na sala. Terminamos de comer e assistimos um pouco de tv, continuamos a conversar mas o assunto estava tornando-se escasso a medida que o papo se prolongava. A hora voava sem ao menos perceber já era bem tarde para que eu me retirasse da casa de minha irmã, mas tive que ir, no sábado faria diversas coisas e também não queria sair tão tarde com a moto daquela rua. Comentei que precisava ir embora, a florzinha não esboçou uma vontade contrária para que eu ficasse e me despedi dela. Comentei ainda que gostei muito de conhecê-la e que um dia visitaria-a em sua casa para conhecer o resto de sua família, ela abriu um sorriso e balançou a cabeça indicando um sinal positivo. Dei um beijo em seu rosto e um abraço e disse até um dia.
Desci o elevador pensando em seu rosto, não sei porque ele me veio a cabeça assim que adentrei o elevador. Não direi que fiquei interessado logo de cara, mas sua beleza me cativara de tal forma que não consegui deixar de visualizar seu sorriso e seus olhos em minha mente. Assim que sai do prédio, acendi um cigarro e fumava enquanto estava preparando tudo para montar na motocicleta e ir embora. Me atentei em verificar a parte de cima e a de baixo da rua, para verificar se não havia nenhuma alma perdida ou estranha por lá. Coloquei o capacete, subi na moto, liguei-a, deixei esquentar por alguns segundos e parti em direção à minha casa. As ruas não estavam tão tranquilas, não era tão tarde assim também, acho que ainda não era nem meia-noite, fui seguindo naquela avenida larga, devagar, pensando na vida, pensando na florzinha e fumando meu cigarro.
Assim que cheguei em casa, fui me trocar e deitar, ainda pensei mais uma vez em sua face e adormeci. Sábado seria um dia e tanto, de manhã iria até a Teodoro Sampaio e de tarde tinha que encarar o ensaio naquela garagem quente. Para quem imaginou que sonharia com a florzinha, não sonhei, dormi um sono tranquilo, sem sonhos, mas um sono muito tranquilo mesmo, coisa que não acontecia há um bom tempo, estava atordoado com as coisas do trabalho, mas o reencontro com a florzinha me fez bem, o jantar, a pouca conversa, seus olhares e seu sorriso. Cogitei a hipótese de encontrá-la novamente um dia, em um futuro próximo.
Próximo episódio - 05 A surpresa.
Download da obra completa em formato pdf.

2 comentários:

  1. Já acabou??
    Final sem graça hahahaha
    Tudo bem, a vida real não é como filme que sempre termina com "uma linda família feliz". Ok, talvez, como você disse, não tenha terminado =P

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  2. Aguarde cenas do próximo episódio. Mas não terminou ainda não! rs rs rs

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