23º dia

Alimentando o ódio...Semana estressante, cheia de surpresas e desgostos, claro que o estresse teria que participar da festinha. Problemas aos montes, o azar ou a cagada esteve presente em todos os momentos destes últimos episódios que cercaram minha vida.
Mudanças são sempre chatas e sempre atraem o estresse, claro que apesar de ser do escritório, não poderia ter consequências diferentes. Diversos atos falhos rolaram no decorrer desta destemida história.
Tudo isso foi levado até o conhecimento de minha terapeuta, na realidade, ultimamente tenho notado que ando mais estressado, não chego ao ponto de como era antes, mas ando mais estressado. Gritei com duas pessoas no meio do trânsito, não me exaltei ao extremo mas cheguei bem próximo. Tive vontade de arremessar uma taça ou dar uma cadeira, pensei muito em qual das duas coisas fazer, porque um idiota resolveu fazer uma brincadeira imbecíl comigo e colocou sal no meu último copo d'água. Uma mulher entra no supermercado na contramão, grito, xingo quando ela já não pode ouvir, fico puto da vida porque provavelmente tinha uma criança no banco traseiro do carro. Deixam uma cadeira no meio do caminho, isso porque viram que eu estava passando à todo momento por lá e mesmo assim deixaram a cadeira no meio do caminho, peguei a cadeira e pensei seriamente em jogar em cima das pessoas que a deixaram lá mas joguei em outro corredor de mesas para tirar do meu caminho.
Coisas que mais parecem ser: "Não podemos atrapalhar o príncipe Marcelo...", foram as palavras que minha psicóloga utilizou, não vejo bem dessa maneira mas é praticamente isso que parece. Todos os episódios que contei a levaram a esse ponto de partida, um ponto em que tentamos descobrir porque me sinto tão ferido, tão insultado pelos atos que no máximo deveriam me deixar apenas puto mas não a ponto de pensar em arremessar uma cadeira.
Comentamos ainda que eu sinto uma braveza enorme, que chega a ser ódio, engraçado, nunca comentei que sinto ódio mas ela pescou no ato. O cultivo que faço desse ódio, prolongar algo que não necessita ser prolongado, é algo que faço constantemente. Fico ali, maquinando, cultivando, remoendo as coisas que me deixaram puto. Penso em diversas coisas a fazer para "reparar" aquilo de uma forma muito cruel. Pensei em foder a empresa inteira por causa do episódio com o copo d'água mas me contive porque descobri os autores de tamanha idiotice. Porque vejamos do seguinte ponto de vista, para minha mente insana, dar uma cadeirada na cabeça ou nas costas de quem resolveu por sal em minha água, seria algo extremamente razoável, normal, uma devolução até amena em relação ao que ocorreu. Por essa razão pergunto: "Por que brincar com uma pessoa tão estúpida e sem noção?", não consigo encontrar uma resposta para tal idiotice, já que todos sabem que não suporto brincadeiras, que odeio qualquer tipo de brincadeira machista idiota ou estúpida.
O fato de alimentar meu ódio, fez minha terapeuta chegar a seguinte conclusão: "Alimento tamanho ódio para não deixar outra coisa vir a tona.", foi algo muito interessante que ela comentou, e exatamente nesse momento me veio a ideia do conformismo que tanto brigo com um de meus sócios. Foi engraçado, mas realmente parece que necessito sentir ódio, passar por todo esse estresse que o cotidiano de qualquer pessoa gera. Não consigo simplesmente deixar as coisas pra lá, deixar as coisas acontecerem mesmo sabendo que algo não dará certo. Simplesmente tenho que sair na porrada verbal contra tudo e todos. Tenho esse problema, em diversas sessões ela já me disse que não seria problema algum esperar a merda acontecer para depois mostrar que estava certo, mas na maioria delas não consigo, simplesmente não consigo esperar a merda acontecer porque na maioria das vezes quem tem que arrumar sou eu.
Feliz natal, feliz ano novo e aguentarei firme e forte até o dia 11...

Nenhum comentário:

Postar um comentário