Minha pequena florzinha - 12 Eventos inesperados

Minha pequena florzinha - 12 Eventos inesperados.Juras e mais juras de amor, paixão avassaladora que tomou conta de nossos corações, todo aquele sentimento parecia interminável, algo que realmente duraria por muitos anos se não para o resto de nossas vidas. Era engraçado, a forma como conversávamos no msn, o modo como nos tratávamos pessoalmente, as belas palavras que saiam daquela boca de lábios carnudos e macios, com seus olhinhos levemente puxados, olhos que sorriam sempre que nos víamos.
Tudo que falei, foi de coração e sempre senti o mesmo dela, não pareciam palavras artificiais, muito menos um script decorado, eram palavras realmente sinceras, verdadeiramente provindas de seu interior, pelo menos sempre senti dessa maneira. Cada vez que ela dizia: "Eu te amo!", ficava marcado em meu peito, era uma sensação extremamente boa, não conseguia me acostumar à tanto amor. Era engraçado porque não me sentia assim há muitos anos, não conseguia sentir o amor de alguém de uma forma tão forte como sentia o dela e o mais bacana é que eu retribuia todo esse amor e carinho, porque também sentia que a amava demais, mais que tudo nessa vida, seria capaz de levar um tiro no lugar dela...
Uma vez ela resolveu pegar no meu pé, com ciúmes, por causa de uma amiga, tudo bem, era uma amiga com quem quis ficar um dia na vida, mas depois do ocorrido nos tornamos muito bons amigos, mesmo assim a florzinha não deixou barato e reclamou de algumas mensagens que trocamos via orkut. Logo em seguida comento que o ex dela ficou de brincadeirinha e ela logo retrucou que foi igual o meu caso com minha ex, isso porque nem falo com minha ex pelo orkut. Senti que não fora algo tão relevante, que foi meio na brincadeira mas de uma forma um pouco séria, soando como um aviso. Ela realmente sentia ciúmes, mas não era aquela coisa doentia, nem insegurança, apenas ciúmes normal e controlado, isso nos ajudou muito no relacionamento porque era uma das coisas que mais detestava na vida. Todas nossas discussões nunca foram por causa de ciúmes, nem porque olhei para alguém ou simplesmente para o lado, a florzinha era muito controlada, muito sensata nesse quesito, tínhamos tudo para embarcarmos no matrimônio e sermos extremamente felizes.
Começamos a falar muito de casamento, sobre como seria, nome de filhos, onde moraríamos. Era engraçado, porque nunca pensei em casar em igreja e todas essas coisas que as mulheres tanto almejam, claro que nem todas. Era muito cedo para pensar nesse tipo de coisa, mas embarcava no sonho com ela, afinal de contas, sonhar não dói e não custa nada. As diversidades entre nós, em relação ao casamento, eram grandes, mas também nada que traria grandes problemas quando decidíssemos por fazê-lo. Acredito que conseguiria fazer todas as vontades dela sem suprir as minhas, acho que tínhamos sonhos realmente interessantes e razoáveis. Era interessante porque pensávamos em ter duas menininhas, sempre quis ter filhas ao invés de filhos, para mostrar ao mundo como é que devemos criar meninas. Claro que teria problemas em relação à diversas outras coisas, desentendimentos em outros aspectos, mas conseguiríamos contornar tudo.
Recebemos algumas visitas muito bacanas quase no final de julho, sua prima que havia aparecido para o aniversário de sua tia, mãe dessa prima, resolveu nos fazer uma visita. Passou um final de semana conosco, o que diminuiu meu tempo com a florzinha, mas não liguei porque essa prima dela é realmente uma pessoa maravilhosa, gostei desde a primeira vez em que conversei com ela e prezo muito por sua amizade apesar do pouco contato que temos. Foi um final de semana bem bacana, rimos muito juntos e foi realmente relaxante.
Em outro final de semana haveria um evento na igreja e a florzinha passaria um tempo longe de mim. Coisa triste, afinal de contas, já não tínhamos muito tempo para ficarmos juntos e agora com esse evento, perderíamos um pouco mais de tempo. Não sei porque mas me senti um tanto quanto trocado, fiquei até mesmo com uma certa raiva porque não queria que ela fosse, queria ficar com ela, afinal de contas, não viajava 82km para ficar assistindo tv, isso poderia fazer em minha própria casa. Ela foi ao tal evento, levou minha câmera e tirou algumas fotos, chegou um pouco tarde, e no domingo novamente. Não sei como chegamos nisso mas acabamos brigando, não uma briga feia, nem uma discussão acalorada, mas nos desentendemos por causa desse evento inesperado que me deixou sem ela praticamente o final de semana inteiro. Na realidade, reclamei porque não havia ponderação, não tinha como apenas escolher um dos dias, ela tinha que ir no sábado e no domingo, não que fosse obrigação, mas para ela era, e até entendia como ela se sentia em relação à isso mas existem certas coisas na vida que nunca compreenderei e não aceitarei.
Na noite de domingo, antes de dormirmos, nos deitamos em minha cama, ficamos conversando e ela colocou em dúvida se realmente era aquilo que ela queria para o resto de sua vida. Ficou com medo de eu proibir suas idas à igreja, suas participações em todos os eventos e tudo o mais. Fiquei realmente triste porque ela chegou ao ponto de pensar em não permanecer ao meu lado pensando na igreja mas eu deveria entender já que pela teoria dos catetos, eu já sabia que as coisas poderiam, na realidade, chegariam ao ponto de passarmos um final de semana inteiro separados por causa da igreja. Acho que deveria, talvez, ser o homem mais feliz do mundo, afinal de contas, quem quer passar todos os segundos ao lado de quem amamos? Por mais que amamos alguém, não podemos deixar nossa individualidade morrer. Mas espere um pouco, faziam apenas 4 meses que estávamos namorando, tínhamos somente os finais de semana para nos vermos e ainda assim tinha que dividir esse tempo escasso com as atividades para algo que nem mesmo acredito? Sim, foi essa escolha que fiz, afinal de contas, sabia desde o início sobre sua religiosidade e que provavelmente passaria muito tempo sendo trocado.
Agora, chegar ao ponto de questionar se deveríamos ou não permanecer juntos, acho que foi um pouco pesado para meu coração, não que não tenha sido para ela também, mas aí foi demais para minha cabeça. Ela saiu de minha cama e foi dormir, triste, também fiquei extremamente triste, magoado, chorei por algumas horas nessa noite, fiquei pensando em diversas coisas. Cogitei a hipótese dela me abandonar, de simplesmente se virar e partir. Como seria a vida sem ela? Consegui pensar em tanta merda que se pensasse mais um pouco, acho que teria ido à cozinha pegar uma faca e enfiar no pescoço, no meu é claro. Era extremamente doloroso pensar na separação, pensar em viver sem ela, sem seus beijos, seus abraços, sua companhia. Levei um certo tempo para conseguir adormecer e precisava acordar às 5h da manhã para partir.
Mesmo dormindo pouco, consegui levantar, lavei o rosto com aquela água gelada, na madrugada a água estava realmente muito gelada, era bom para despertar de verdade, ajudava a não sair de moto com sinais de sono, afinal de contas, pegar estrada com sono, é um perigo e tanto. O sentimento de tristeza acabou virando raiva, não sabia se dela ou de mim, mas sentia que as coisas daquele dia para frente não seriam muito boas. Sai em direção à estrada, pensando em um monte de besteiras, estava com muita raiva, de tudo que acontecera, de tudo que poderia acontecer, senti uma enorme vontade de parar de respirar, de morrer naquele momento, a viagem seria longa, não poderia alimentar tal pensamento mas era praticamente inevitável. Aos poucos fui me distanciando de sua casa, a névoa que envolvia a estrada não permitia que enxergasse nada, tinha uma visão de no máximo uns 5 metros, fora que o vento gelado estava congelando meus dedos. Doía, doía muito, era extremamente difícil pilotar, mesmo com luvas, estava difícil segurar o frio e minhas mãos doíam demais.
Passei da última cidade até entrar realmente na estrada e não conseguia parar de pensar na possibilidade do namoro acabar no próximo final de semana. Não me acalmava, não me controlava, pensava somente naquela conversa que abalou todo o sistema lógico existente em minha mente e deixei realmente a emoção e o sentimento controlar meu corpo. Ainda pensando muito em tudo que acontecera, cheguei à estrada e acelerei, acelerei tudo que podia, torci o cabo até o final. A velocidade era diminuída pelo vento forte que batia em meu peito e gelava ainda mais, acho que isso me ajudou a não avançar demais os limites de velocidade. Não pensei exatamente em me matar, mas também não estava ligando muito para o que poderia acontecer, fui totalmente imprudente neste retorno para casa, pela primeira vez na vida pilotava como se nada mais importasse, pensava que se algo acontecesse, pouco importaria.
Felizmente ou infelizmente, cheguei inteiro em casa, não consegui nem mesmo me perder em alguma curva ou sofrer uma pequena avaria, fiquei apenas com a dor que o frio causou em minhas mãos. Trabalhei totalmente injuriado neste dia, não conseguia tirá-la de minha cabeça, não conseguia deixar de pensar na conversa que tivemos. Como algo assim poderia me abater tanto? Eu realmente parei para pensar, tentando esquecer a conversa, por que me importava tanto com alguém que colocava a igreja e deus acima de tudo? Afinal de contas, nunca liguei para esse tipo de coisa e sempre achei um absurdo pessoas assim. Por que com ela as coisas eram diferentes? Mesmo amando demais, não conseguia entender porque aceitava tudo aquilo, porque estava tão mal pela conversa que tivemos, afinal de contas, mesmo amando alguém, nunca deixei que nada me abatesse de tal forma, pelo menos nada que fosse desse gênero. Talvez tenha sido algo bom, talvez tenha sido apenas mais um aprendizado da vida, mas pensei muito e reconsiderei, estava me passando pelo tipo de pessoa que não gosto, aquelas que prendem, que não te deixam fazer nada, que são obsessivas. Não me perguntem porque cheguei à esta conclusão.
Assim que cheguei em casa, entrei no msn para falar com a florzinha, queria falar pessoalmente mas não seria possível, então pensei em ligar pra ela. Chamei-a no msn e perguntei se estava ocupada, comentei que gostaria de ligar para ela. Ela preferiu conversar pelo próprio msn, porque estava falando com uma amiga, comecei perguntando se ela realmente estava pensando se deveríamos ou não ficarmos juntos e ela rapidamente respondeu que sim, que pensava e comentou que era muito difícil para ela. Comentei que entendia e que queria dizer algo sobre a conversa do dia anterior, logo em seguida, pedi perdão à ela. Pedi perdão e comentei que não queria privá-la de nada, não queria que ela deixasse de fazer suas coisas por minha causa, disse que queria ser mais compreensivo. Ela me perdoou, sem pestanejar, sem ao menos parar um segundo para pensar, isso causou um certo alívio, porque quer dizer que ela não tinha a real intenção de terminar tudo e estava disposta a esperar uma mudança de minha parte.
Já sabia que não seria fácil por ela, ainda tinha o meu gênio, não sou uma pessoa realmente boa, tenho meus surtos, não sou uma pessoa extremamente boa para relacionamentos, acho que o nosso dava certo porque ela não tinha problemas com coisas pequenas, do ponto de vista de pessoas não religiosas demais, coisas como ciúmes, entre outros, não eram os motivos de nossas brigas. Na realidade, não brigávamos de fato, tínhamos pequenas discussões que muitas vezes passaram até despercebidas aos olhos mas que chegaram aos ouvidos dos outros. O que mais me fazia feliz nesse relacionamento, era esse grande fato, de não brigarmos por coisas pequenas, pela teoria, apenas brigávamos porque queria ficar mais tempo com ela, queria poder aproveitar cada minuto do final de semana para ficar com ela.
Próximo episódio - 13 O aniversário dela.
Download da obra completa em formato pdf.

4 comentários:

  1. Hey, eu tinha deixado um comentário no final de semana aqui, acho que sai da página antes de concretizar então...
    Então, eu li até agora e como está a produção do restante? Está quase no final??

    Agora embalei de novo, recuperei os textos perdidos, não faz eu perder o fio da meada de novo! =P

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  2. Nossa, agora que vi, usei um então para finalizar a frase e outro para iniciar a seguinte.. que feio! =P Acho bom reler antes de enviar e não depois né =/

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  3. Então, ia escrever o próximo episódio neste domingo, mas como arrebentaram minha moto, perdi um pouco o tesão de escrever! rs rs rs
    Mas acredito que até o final dessa semana escrevo o próximo, até porque parei para relembrar diversas coisas para isso!

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