Chega de tentar apenas se livrar das coisas.

Já pode matar?
Bom, apesar de toda desgraça que me persegue nessas últimas semanas, não derramarei palavras ofensivas ou pequenos gestos de fúria. Para que reclamar da vida? Afinal de contas, não tenho motivos que me levem a tal fato. E a vida é feita mesmo de diversos problemas, não?

Mantenham a calma, pode até parecer que estou doente mas não acredito nisso. Aliás, acho que não, já que não sou médico. Ultimamente tenho até mesmo pensado no que realmente sou e o que realmente devia fazer em relação ao cargo que ocupo hoje; apesar de ser um dos sócios, sou porque sei fazer algo, acredito. Lembro de estar ali por um motivo, não consigo me lembrar qual, mas uma hora chegaremos lá.



A única coisa que realmente sei, é que nessas últimas semanas, voltei a me preocupar com coisas que não deveria. Isso pensando do meu ponto de vista, já que teoricamente cada um sabe exatamente como proceder e o que realmente deve ou não fazer. Claro que temos diversos ótimos exemplos lá dentro para manter as coisas no lugar, principalmente os mais velhos de casa, aqueles que realmente conhecem o processo tão bem que nunca o cumprem. Porque a regra mais básica em uma empresa é não seguir os processos estabelecidos.

É engraçado eu ainda me preocupar com migrações, com problemas que ocorrem no cliente, com alguns fantasmas que nos perseguem e outras coisas totalmente tenebrosas que não tem pé nem cabeça. É possível se sentir em um filme de ficção, porque tudo que é mais ilógico, acontece por lá. Não creio que diversos dos problemas que apareceram nessa última semana, sejam coisas tão catastróficas, possivelmente minha reação em alguns aspectos seja um tanto quanto exacerbada. Talvez eu não saiba mais mensurar a complexidade das coisas ou não consiga mais compreender o que as pessoas tentam passar como problema. Isso deve estar associado ao fato de não saberem quais os reais problemas em alguns casos, é algo que acredito que seja bem plausível.

Mas acho que meus dias estão contados, seja pela minha saída ou por um infarto. Quem sabe, talvez, um aneurisma me pegue antes de descer o último degrau para a decadência que anda toda equipe técnica; e quando digo toda equipe, me incluo nesse monte de coisas inúteis que andam atormentando a vida de diversos clientes. Não tenho como não me incluir porque também faço cagadas, por que todos podem e eu não? Não sou perfeito, em nenhum aspecto, a única diferença é que certas coisas não deixo acontecer e quando passam despercebidas, eu consigo resolvê-las o mais rápido possível. Isso é algo que sempre frisei das diferenças entre o povo do desenvolvimento cagar e o povo do suporte. Claro que até hoje ninguém entendeu esse pequeno detalhe.

Ainda para completar esse fim de ano, outra customização muito bem "vendida", ela é tão bacana que até postei algo comentando sobre isso: "Onde encontrar uma garota de programa que pagamos uma única vez e a fodemos umas 4 ou 5 vezes? #work". Comentário estranho? Aliás, pergunta estranha? Não, não mesmo, porque é mais ou menos isso que está acontecendo com esse "pequeno" projeto que levaria apenas 8h e já ultrapassou às 12h. Isso porque não fui exato, não contabilizei todas os minutos realmente utilizados. Tudo isso porque, novamente, não pegaram as informações de forma precisa. Claro, muitas vezes o cliente não sabe o que quer e somos os responsáveis em identificar o problema e dar a melhor solução. No entanto, se ninguém tentar entender de fato o que incomoda ou inviabiliza um processo do cliente, como daremos a melhor solução? Alguém consegue?

A minha cabeça de jumento consegue imaginar que seja falta de experiência das pessoas que necessitam pegar as informações com o cliente. Pensamento positivo para ver se o cérebro não desiste de vez. Mas meu subconsciente, aquele que é totalmente arbitrário em relação a sentimentos, me diz que o problema é a vontade de se livrar do cliente. Não quero dizer "perder" o cliente, apenas não ter que ouví-lo durante algumas semanas. No que isso acarreta? Alguém conseguiria responder? Na minha pequena visão deturpada da vida, isso termina com a seguinte consequência, o cara nunca chegará no ponto principal para chegarmos o mais próximo possível do que o cliente quer. Imagine quando você resolve falar rapidamente com um cliente, não tem mais paciência para ouví-lo ao telefone e a primeira dedução "lógica" que aparecer, você chutar que seja esse o problema do cliente e desligar o telefone. Mas espere aí, onde estão os detalhes? Aqueles famosos "pequenos detalhes", ficaram onde? É... Preciso dizer?

Mas ainda acredito que haja esperança para a empresa, principalmente depois que deixá-la, porque por diversos anos, sempre frisei na mente que o problema sou eu. Não, não para me fazer de "coitadinho", é porque minhas "maneiras" não são nenhum um pouco boas ou exemplares. Às vezes, acredito realmente que as pessoas não funcionem por causa do meu modo explosivo para lidar com situações que não deveriam ocorrer. Já estou cansado de saber que a política do medo não funciona com ninguém a não ser um cachorro. Sei que com pessoas, a política do medo só piora a situação, mas não consigo mais evitar, principalmente lá, de exercer tamanha façanha. Sempre que tento manter a calma, é inevitável cair em tentação e me exacerbar, subir o tom, explodir em palavras meigas que fariam até mesmo alguns chorarem. Claro, não surto como antes, estou mais controlado depois da terapia, mas ainda assim, não ajo da melhor forma possível. E é somente por isso, que ainda tenho esperanças que aquilo um dia vá para frente.

2 comentários:

  1. Yama, as pessoas cometem erros, algumas mais, outras menos. A qualidade no atendimento é um problema crônico das instituições. O maior erro das empresas também é confiar que o cliente sabe o que quer; em muitas ocasiões o cliente sequer sabe como funciona o processo e pede um programa sem conhecimento de causa e aí o programador tem que buscar alguma mente sã que consiga traduzir as intenções do cliente, em algumas oportunidades na própria empresa do mesmo. Minha avó costumava dizer que preocupação para pessoas é como pulga para cachorro, ele pode viver no alto da árvore e ainda assim elas estarão lá com ele.

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  2. Meu maior problema é esse, encontrar alguém que saiba extrair informações do cliente como um vendedor que existia aqui.
    Como já falei diversas vezes com um de meus sócios, além de vendedor o cara tem que ser técnico para compreender alguns processos do sistema e como ele poderia encaixá-lo no sistema. Mas como dizem por aí, é praticamente impossível encontrar alguém que tenha o equilíbrio perfeito dessas duas coisas tão complexas.
    Valeu pelo comentário!

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