O que te irrita?

Scanners.
Ontem percebi que ando meio irritado com pequenas coisas. Na realidade, a vida inteira fui irritado com pequenos barulhos que me incomodam demais. Coisas básicas como mexer em um saco plástico quase tirando música dele. Ou resolver trabalhar com as panelas como se estivesse em uma fanfarra. São coisas corriqueiras, básicas, que acontecem a todo momento do dia.

Os latidos dos cachorros da vizinhança são os que mais me irritam. Juro que não tenho vontade de matá-los, talvez seja esse o motivo de não ficar tão abismado com a moça que surtou com o Yorkshire. Claro que não concordo com isso, uma coisa é dar um corretivo em um cachorro, outra é espancá-lo. Mas sinceramente, nesses últimos tempos, gostaria de ter o poder de um "scanner", lembram desse filme? Não? Pesquise no Google.

Há um certo exagero nas minhas reclamações sobre coisas que me irritam no cotidiano, mas para tudo existe uma justificativa até que plausível. Até porque, não acho razoável um cachorro latir às 2h da manhã. Melhor é um senhor de idade que resolve falar ao celular e parece que está falando com a vizinhança. Legal que esse senhor, possivelmente, tem problemas de audição. Primeira prova, o fato dele falar alto demais, como se as pessoas estivessem a quilômetros de distância mesmo estando ao seu lado. Segunda prova, o cara ouve a tevê no último volume, se colocar no mesmo canal que ele, pode deixar sua tevê no mudo para poupar suas caixas de som.

Até mesmo o balançar de minhas pernas, que provoca um barulho baixo da cadeira, me irrita demais ultimamente. O que dizer das obras na vizinhança. O mais engraçado é que parece que essas coisas andam me perseguindo ultimamente. Se as pessoas acham que os aviões ou helicópteros me incomodam nas filmagens, precisam apreciar a minha irritação com esses barulhos pequenos do cotidiano. Porque há uma grande diferença, o avião passa, o helicóptero uma hora some, mas esses pequenos ruídos parecem te perseguir até o final do dia.

Tinha uma senhora, que era mãe de um filho da puta que adorava aquelas buzinas em spray, que além de falar mais que uma velha fofoqueira, era alto e suas risadas inundavam o bairro de tão grotescas. Era incrível como aquela gentil senhora conseguia soltar uma risada tão escandalosa. Aliás, a parte mais incrível é que ela parecia não perceber que naquele horário, sua risada estava alta demais. E se o que ela contava para o filho, eram pequenos segredos, então acredito que ela devia morrer com eles.

Em alguns dias, até mesmo digitar um texto como esse me irrita. Não pelo processo de criação, mas pelo barulho que meu teclado anda produzindo. Produzo mais barulho que texto nesses últimos posts. É algo realmente fascinante, já pensei até em comprar aqueles caríssimos teclados da Apple na esperança de "ouvir aquele silêncio". Infelizmente, não pude concretizar meu sonho.

É, tem dias que penso em voltar para terapia. Mentira. Penso em voltar para terapia todos os dias de minha vida. Não porque acho que estou, é porque sou realmente louco, pelo menos é o que andam dizendo pra mim. Pior que estou acreditando. Ou talvez, essa seja a parte sensata do meu ser, acreditar.

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