Saudades com os pés no chão.

15 anos.
Diferente do meu ídolo, eu me dava muito bem com meu velho, aliás, não sei porque o chamo de velho hoje em dia, pois quando ele era vivo, nunca o chamei assim. Ele era o cara pra tudo, dos ótimos conselhos às terríveis broncas, ele era o cara. Provavelmente me repetirei aqui, pois escrevo algo sobre ele desde 2009, ano em que lancei esse blog, mas não muito a acrescentar sobre sua vida, até porque não quero ficar contando todas as histórias que passamos juntos nos anos que tivemos de convívio.

Nesses 15 anos de ausência, consegui me virar bem, meus irmãos e mãe também. Pelo menos, é o que consigo ver no dia a dia, todos lutando para prosseguir para o amanhã. Muitas coisas mudaram quando ele deixou esta família, muitas coisas evoluíram, outras retrocederam, mas no balanço geral todos conseguimos seguir em frente.

Em todos os 15 anos sem ele, esse foi o ano em que mais senti falta dele, talvez por todas as dúvidas impostas em meu caminho, talvez pela necessidade de ouvir bons conselhos sobre diversas coisas, algo que ele fazia muito bem pelas poucas lembranças que tenho. Acredito que se ele estivesse vivo, talvez não teria feito diversas merdas que fiz no decorrer desses anos, talvez não fosse o ser que sou hoje. Aliás, acho que seria, a parte boa poderia ter sido aumentada, talvez, a parte ruim surgiria um dia ou outro, acredito que fosse inevitável.

A dor da perda, na época, não foi tão facilmente mensurada como é hoje, apesar de já ter superado bem. Mas foram diversos anos até chegar no patamar que cheguei, foram diversas lutas escondendo a dor da perda de todos que viviam ao meu redor. Hoje em dia, consigo brincar, consigo fazer piadas com a perda dele, mas até chegar nesse "conforto" foi extremamente difícil. Pensando nas piadas, fico imaginando se ele ficaria bravo comigo.

Queria fazer um texto maior, mais interessante, mais engraçado, mas como não tenho humor...

2 comentários:

  1. Não imagino como é a dor de perder alguém tão próximo. Mas depois de ler esse texto me fez lembrar de ter visto meu pai entre a vida e a morte durante a doença que teve e de como consegui tomar a decisão e tomar a atitude que salvaria meu pai sozinha e com a idade que tinha, com toda certeza não é a mesma dor. Mas lembrar de tudo que aconteceu, de como eu junto com a minha irmã tivemos que sozinhas lidar com toda aquela mudança, das consequências tanto físicas, tanto emocionais que ainda existe nele, me causa uma nostalgia que traz um conforto, mas ao mesmo tempo traz coisas e situações que eu ainda pretendo esquecer.
    Eu até pensei em escrever qualquer coisa sobre aquele tempo, mas ainda é tão recente em minha mente que não tenho força nem sequer para lembrar sem lembrar do sofrimento de todos. Mas ler você escrever assim do seu pai, me faz pensar o quão ligado vocês eram e mesmo com poucas palavras demonstrou o tamanho da sua admiração por ele.

    Beijos.

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  2. Realmente não é algo fácil perder alguém tão próximo e tão presente. E é mais foda ainda, desculpe pelas palavras de baixo calão, você perceber que poderia ter valorizado muito mais sua companhia.
    Não conversava muito com ele, quando atingi certa idade, que seria legal termos diversas conversas sobre sua vida, vivia fora de casa por causa de amigos ou namorada.
    Me arrependo muito, mas muito mesmo, de não ter conversado mais com ele, de ter sido um filho mais companheiro. Mas as poucas conversas que carrego em meu coração, modelaram muito da minha personalidade.
    Todo compromisso que tenho hoje, a responsabilidade exacerbada em certos quesitos, a honestidade, foram coisas totalmente herdadas dele. Tudo que pude ver em relação ao caráter dele, guardei a sete chaves. A perseverança e o esforço, só foram alcançadas graças a ele.
    É engraçado, até minha cunhadas notam a diferença na criação entre meus dois irmãos e eu. Notam o quanto a ausência de meu pai influenciou em todos nós. Quem sabe um dia, escreva algo sobre isso. rs rs rs
    Obrigado pelo comentário, você quase arrancou uma lágrima de minha pessoa que não chora há muito tempo.

    Beijão

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