Coração de pedra?

Now what?

Queria que a paixão e o amor não existissem, somente até certo ponto, amor pela família devia existir sempre. Mas pensando bem é bom se apaixonar, principalmente porque isso cria uma casca grossa, como diria uma querida "amiga" (não pessoal ainda), cria uma armadura para nos proteger dos males que habitam o planeta dos sentimentos.

Já me apaixonei dezenas de vezes, umas foram boas, outras ruins, como acontece na vida de qualquer pessoa. As "decepções" me tornaram uma pessoa mais dura, não que já não fosse tão duro, mas praticamente transformou o coração em algo parecido com uma pedra. Não direi que tenho todo o coração petrificado, pois ainda consigo sentir um pouco de compaixão, sinto amor pela família, de vez em nunca bate uma certa "solidão" e carência, eu acho. Se não fosse pelas paixões que passei talvez ainda tivesse aquele coração gelatinoso que se magoava com qualquer palavra um pouco mais grosseira ou o partir de alguma paixão verdadeira.

Já fui uma pessoa mais sensível, mas o envelhecimento me tornou alguém amargurado, grosseiro, sem paciência, alguém que "cresceu" de uma forma torta. Não consigo me apaixonar tão facilmente, começo a analisar como se fosse um problema a ser resolvido, penso em todas as coisas que podem acontecer antes mesmo de acontecer. Por isso me identifico tanto com House, inclusive há um episódio onde Cuddy faz um comentário similar: "Por que precisa analisar as coisas até o fim? Por que não pode simplesmente curtir?". Durante meus sete meses de terapia frisávamos muito nessa parte, nessa coisa do metodismo, do medo de me envolver com alguém porque não teria o controle da situação. Minha queridíssima terapeuta sempre frisava nesse ponto, meu medo de simplesmente permitir que as coisas fluíssem sem controle, sem me preocupar com o que pode ou não acontecer.

Isso é realmente algo que me incomoda, ficar pensando no amanhã, onde as coisas podem terminar, por isso relacionamentos são tão complexos para uma pessoa metódica. Fora que as brigas e discussões desnecessárias me estressam demais. Claro, existem mulheres que são mais centradas, tem a cabeça no lugar mas vez ou outra, com certeza, todo o senso descerá ralo abaixo. Talvez possa encontrar uma pessoa sensata, alguém que seja movida pela razão com a dose certa de emoção. Mas não quero entrar novamente em um laboratório e fazer alguma experiência que me leve à loucura.
Escrito ao som de Extreme - Interface.

2 comentários:

  1. Veja, paixões são males que devem ser curados no analista, ouvi dizer uma vez. O amor é total abnegação, não confundir com escravidão,fazemos as coisas com prazer quando estamos amando, mas amor também é discutir, é corrigir, é ensinar, é aprender e até deixar para lá alguma discussão desnecessária, eu também achei que acabaria ficando sozinho, mas apesar de não ter casado com alguém que eu estava loucamente apaixonado, o nosso relacionamento funciona, com muito respeito e abnegação, isto aprendemos com os filhos, tudo o que queremos fica em segundo plano, é aí que realmente aprendemos a viver.

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