Estresse no trânsito.

Estresse.

Adrenalina subindo, o iminente estado de estresse máximo que há muito não sentia... Oh, sinto quase todos os meus nervos se elevando, minha cabeça explodindo e meu cérebro trabalhando a mil... O corpo parece ter mais força e agilidade, a mente trabalhando mais rápido me ajuda a ter mais noção de espaço e tempo. Sinto-me mais eficaz nas manobras absurdas que estou fazendo com a moto, algo que realmente nunca fiz.

A cada segundo o sangue ferve mais, qualquer deslize de outro motorista me enerva mais, olho feio, xingo, grito, praticamente surto no meio do trânsito. Não reconheço minha face, meu modo de pensar, principalmente na parte de pensar rápido demais para fazer essas manobras que não estou acostumado. O corredor se transforma em um túnel do tamanho de um estádio de futebol, onde normalmente não passaria nem a 10km/h, atravesso a 60km/h, quem sou eu?

Passo entre um ônibus e um caminhão pequeno de carga, coisa que nunca fiz, passo como se estivesse com a via completamente livre. Parece que apenas existe minha moto e mais nenhum outro veículo na rua, acelero mais, fico mais nervoso, não necessariamente nessa ordem. Olho a hora que passa como um míssil desgovernado. Novamente me encontro travado, sem um espaço para passar, fico mais nervoso, grito, tento encontrar uma pequena brecha, resolvo atravessar a via onde somente um ônibus deveria trafegar.

Paro no vermelho, não estou tão inconsciente, conto os 30 segundos, espero como se minha vida fosse acabar ali. Assim que o semáforo anuncia o verde, acelero como se não houvesse limite, como se o motor fosse muito mais potente do que realmente é. Parto para faixa da direta, passo rapidamente por pessoas que queriam se jogar no meio da via, eles retornam rapidamente para a calçada e acenam pra mim. Outro caminhão logo a frente, hora de mudar de faixa novamente, reduzir e acelerar. A cada troca de marcha não me reconheço.

Estou próximo de casa mas não posso parar pra tentar desacelerar o coração, quem sabe assim o estresse reduziria drásticamente. Prossigo, sigo em direção do escritório, começo a abrir caminho onde as pessoas poderiam ser legais e deixar o corredor mais espaçoso, descubro que a arte de "bombar" o acelerador funciona, aquilo nunca havia funcionado comigo, apenas vi funcionar com cachorros-loucos. Me embrenho em meio aos carros tentando subir o mais rápido possível, os minutos continuam passando contra meu gosto, acelero mais e faltam apenas uns 10 minutos para chegar ao meu destino.

Ando no corredor de moto, local onde não gosto de trafegar, acelero, bato a marca do 80km/h, uow, vamos reduzir, o limite é 60km/h. Pego um retardatário a minha frente, se não quer andar, o que está fazendo na porra do corredor para moto? Aproveito a pequena brecha e adentro a faixa da direta, acelero, ultrapasso o motociclista a frente, volto para faixa de motos e me deparo com um pequeno acidente. Aparentemente, um motociclista atropelou um pedestre idiota que atravessava onde não devia.

Penso em parar para ajudá-los, meus nervos não me permitem, apenas penso em prosseguir e sigo em frente. Já havia pessoas demais parando para tentar ajudar e como não sou o Dr. House, decidi seguir em frente. Meu subconsciente ficou preocupado e me fez desacelerar, começou a me tranquilizar e fazer eu pensar no ocorrido lá atrás. Como pude presenciar um acidente como aquele e continuar andando como um louco? Reduzi, desacelerei, voltei a respeitar a velocidade que as placas anunciavam e cheguei mais tranquilo no escritório.

Subi, conversei com o pessoal, respondi alguns e-mails, despachei algumas coisas e resolvi ir pra casa. Estava mais calmo, mais feliz e comecei a pensar no quão idiota fui. Sempre critiquei a atitude dos motoboys e agi como um, parecia um louco no trânsito, costurando onde houvesse brecha. Acho que preciso tomar cuidado.

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