Finados

Finados.

Aprendemos muitas coisas com nossos pais. Bons modos, estudos e um monte de outras coisas só ocorreram pelo incentivo ou exemplo deles. Esse lance de ser família ou não, também acredito que herdamos deles.

Esse feriado de finados me fez pensar em algo que não herdei de meus pais. Todo ano viajávamos para o interior, uma cidade chamada Cândido Mota, ficávamos na casa de minha tia e sempre íamos visitar o túmulo de meus avós em Assis. Quando estávamos próximos do feriado de finados, um certo desespero tomava conta de mim pois sabia que passaria de 5 a 6h em um viagem quase infinita.

Era uma tradição, meu pai sempre fez questão de visitar o túmulo de seus pais, eu não herdei essa coisa. Não tenho esse costume de visitar os mortos, não vejo sentido nisso desde meus 16 ou 17 anos. Como tenho essa mentalidade de morreu, acabou, visitar o túmulo de alguém que se foi e ainda por cima rezar, é muito complexo pra mim.

Não que tenha esquecido meus entes que já faleceram, não esqueci ninguém, mas simplesmente não consigo compreender essa necessidade que as pessoas tem de ficarem visitando seus túmulos. É praticamente uma casinha reduzida ao mínimo possível onde descansam apenas os restos mortais do que as pessoas que amamos já foram um dia. Claro, há um monte de outras coisas envolvidas dependendo do que você segue como crença.

Acho que a falta de deus no coração e essa mania de ser totalmente lógico me fez assim. Mas isso é um sinal que além das coisas que aprendi com meus pais, também tenho opinião própria. É ótimo levarmos conosco tudo que nossos pais nos passaram durante nossos primeiros anos de aprendizado, mas também é necessário termos nossas próprias opiniões em relação as diversas coisas do mundo. Porque, é preciso saber pensar e não apenas seguir algo que foi passado.

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