Apenas lembranças.

Crianças.

Cada palavra que ouço em minha mente me faz refletir mais e mais. Talvez seja novamente meu subconsciente tentando mandar alguma mensagem, talvez seja apenas algumas preocupações tomando conta novamente de todo complexo.

Me esforço para pensar nas crianças, será que minhas lembranças estão se esvaindo? O que estou perdendo nesses últimos tempos? A primeira palavra, talvez os primeiros passos, o que mais posso perder? Não basta perder isso, as lembranças também estão indo embora a cada dia. Meu cérebro não comporta mais tantas informações, está cada vez mais degenerado, será a doença me consumindo de vez?

O que restará quando não sobrar quase nada? Será que esquecei as crianças? Minha ex? Bom, essa última não faço tanta questão de guardar, mas as crianças... Me cuidei a vida inteira para simplesmente ser presenteado com essa doença que está acabando com meu cérebro? Se acreditasse em deus as coisas seriam diferentes? Ah, talvez, quem sabe, pelo menos ele deixaria as lembranças das crianças.

Sinto como se vivesse fora do meu corpo, sinto como se fosse apenas uma mente vagando pelo submundo, rastejando por cada esquina como se não houvesse mais o que fazer. Será que estou no vale dos suicidas e não sei? Talvez. Se bem que minhas últimas lembranças não envolvem a minha morte, apenas uma separação dolorosa depois que descobri minha doença. Não faço questão de lembrar dela, mas também não a julgo por querer me deixar. Esse lance de na saúde e na doença, não é para qualquer um, apenas para os que realmente amam e são fortes.

Todas as juras de amor foram em vão, todas as promessas de amor eterno... Ah, como se ninguém soubesse que essas baboseiras, são apenas baboseiras. É no pior momento da vida que você descobre quem realmente te ama. Mas deus, mesmo não acreditando em você, deixe as crianças em minha mente.

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