Apenas mais uma sexta-feira.

Mais uma noite.

Cheiro do vômito seco na pia, a urina que invade suas narinas assim que você adentra aquele banheiro imundo do submundo. Talvez possam existir odores piores que esses, provavelmente o cheiro de um cadáver em decomposição seja muito pior, por isso os especialistas novatos usam algo em suas narinas.

É de manhã, ainda sinto o cheiro do ambiente, o suor de alguns, o perfume de algumas, o cheiro forte de cigarro de quem acabou de fumar, por que raios essas coisas impregnam em suas narinas? Sinto um gosto forte na boca, excesso de nicotina, talvez seja hora de diminuir um pouco o fumo. Mas é algo estranho, ontem nem abusei do cigarro, mas parece que fumei um maço inteiro em poucas horas.

Vejo diversos rostos bonitos nessa noite, sorrisos que ultrapassam a escuridão e refletem como se houvesse energia nele. Bebida, gente andando pra lá e pra cá sem parar; pessoas esbarrando em seus ombros, quanto tempo você consegue suportar isso?

Acendo um cigarro mesmo com o gosto horrível na boca, procuro algo para beber e encontro apenas chá na geladeira e água; está na hora de ir ao mercado fazer compras. Ligo a tv e nada de interessante está passando. Procuro algo para engolir, não vejo nada; já é quase meio-dia. Peço comida pela internet, oh, quanto luxo nessa vida, essas facilidades farão a humanidade não sair mais de casa. Espero o lixo orgânico que me dará um câncer no estômago junto com toda nicotina ingerida todos os dias.

Ela esbarrou em mim por um acaso, não estava bêbada e nem drogada; eu acho. Olho pra ela e com um simples sorriso de desculpas se vira e vai em direção do banheiro. Fiquei parado no mesmo lugar onde ela esbarrou em mim. Ela sai do banheiro, pega uma bebida no bar; acho que me enganei. Fico olhando para ela caminhar até suas amigas, ela repara de canto de olho que estou observando-a, vira seu rosto para o lado onde estou e desisto de encará-la. Medo?

O câncer chegou para saciar minha necessidade de me alimentar. Quanto tempo podemos sobreviver sem comer? Pego um copo servido do meu refrigerante preferido e penso o quanto preciso deixar de beber essa merda. Poderia beber suco natural, mas acho que na minha idade é muita frescura se preocupar com essas coisas. Começo a mastigar toda a podridão que pedi, nuggets e sanduíches feitos de uma carne duvidosa que todos desconhecem sua origem.

Nos encontramos novamente em uma área reservada para fumantes, ela para ao meu lado e me pede o isqueiro. Sem nenhuma expressão facial, pego meu isqueiro e acendo para ela. Ela dá um tragada de uma maneira insinuadora, abre um sorriso e pergunta: "Qual seu nome?" Respondo e ela diz que já ouviu falar de mim. Mudo de assunto, tento perguntar sobre ela, mas ela também desconversa. Terminamos nossos cigarros, entramos e cada um vai para um canto diferente.

Termino minha refeição na metade do filme "Missão Impossível - Protocolo Fantasma", termino de assistir o filme enquanto ingiro mais nicotina. Tenho vontade de comer um doce mas a preguiça de sair é maior que minha vontade. Talvez mais tarde eu resolva sair de casa.

Procuro-a novamente na pista, encontra-a e começo a dançar ao seu lado. Ela esbarra em mim e abre um sorriso. Pergunta se criei coragem e pergunto: "Coragem pra quê?"; em seguida ela me dá um beijo um tanto quanto exagerado, praticamente nos engolíamos no meio da pista. Arrasto ela para um canto e ficamos ali por algum tempo.

Penso em dormir novamente mas acho que deitar logo após comer não é legal. Levo o lixo pra baixo e resolvo tomar um banho. Preciso sair, respirar um ar novo, mudar esse cheiro impregnado em minhas narinas, sentir o perfume das minhas lindas sobrinhas ou qualquer outro odor que seja mais agradável.

Acordo em um motel, olho para o lado e vejo as costas dela, uma pequena tatuagem com algumas flores e mais algo que não consigo identificar. Vou ao banheiro urinar, quando volto ela está de olhos abertos com um cigarro na mão esquerda. Dá um trago, olha pra mim novamente e pede para eu voltar para a cama. Trepamos mais duas vezes e nos despedimos sem trocar telefone ou e-mail.

Mais um dia, vamos aproveitá-lo como se não houvesse amanhã? Não sei, talvez seja hora de descansar um pouco e tentar viver uma vida normal. Essas "aventuras" estão me fazendo me sentir adolescente demais pra minha idade.

2 comentários:

  1. Hahahahha isso me lembrou muito os rolês que fazia com o Noyama na augusta, curti o texto véi (:

    ResponderExcluir
  2. Opa! Quanto tempo, hein?

    Então, ando fazendo uns rolês lá na Augusta, mas já ando bem cansado. rs rs rs

    ResponderExcluir