Minha pequena florzinha - 15 A decisão.

Minha pequena florzinha - 15 A decisão.
Era outubro, várias coisas haviam abalado o relacionamento mas até então nada fora comprometedor, algo que causasse a intenção de terminar ou algo do gênero. Tínhamos pequenas discussões que nem chegavam próximas as da maioria dos casais que conhecia ou dos namoros que tive. E o nosso problema sempre era olharmos cada um para um lado, seguirmos em direções completamente opostas.
Talvez o medo que ela tinha de possivelmente se afastar da igreja que a família frequentava, causava um certo temor e pior, porque além de se afastar de sua igreja, também não teria companhia para os cultos porque muito provavelmente não estaria presente em todos.
O conceito ultrapassado de que marido e mulher "sempre" devem fazer as coisas juntos, não me animava muito, até porque mesmo namorando, casado ou sei lá o que, cada um precisa manter um pouco da sua individualidade como diz um grande amigo meu. Isso foi uma das coisas mais sensatas que ele me disse diversas vezes. A ideia de acompanhá-la de vez em quando, realmente não me incomodava, não custaria nada eu me esforçar e ir vez ou outra acompanhá-la. Mas a questão é que isso a incomodava mais que qualquer coisa na vida, o pensamento, provavelmente, de não me ter na igreja junto à ela.

De fato isso era ruim, porque se também fosse da igreja, sempre estaríamos juntos, em todos os momentos que passei sozinho, trancafiado naquela casa, poderia ter passado ao lado dela, só que na igreja. Infelizmente ou felizmente, isso não é uma das coisas que mais me agradam no mundo. E isso foi acumulando e juntando com o fato dela não reclamar muito das coisas, isso foi piorando com o tempo e mesmo sem ela precisar me falar, eu sentia isso. É engraçado como nos envolvemos tanto com alguém que muitas vezes, basta um olhar ou uma palavra para compreendermos um universo inteiro de pensamentos vagando.
Em um final de semana, cheguei à casa dela em um sábado de tarde, coisa completamente fora do comum. Cheguei lá e ela não estava lá, assim que a mãe dela chegou veio falar comigo. Na hora, pensei que fosse um comunicado que sua filha queria terminar o relacionamento, até porque não estávamos tão bem assim nesse tempo. No entanto, ela comentou que a florzinha precisava ajudar na igreja pois haveria uma festa em comemoração ao dia das crianças e por isso ela não estaria em casa por muito tempo. Fiquei até que aliviado mas ao mesmo tempo pensando em como seria o final de semana, já havíamos perdido a sexta de noite e agora o sábado seria tomado com outro evento inesperado. Bom, como não havia outro jeito, tive que compreender e ficar tranquilo. Assim que ela chegou, veio me beijar, mal conversamos e ela foi se arrumar para sair. Fiquei um tanto quanto injuriado nesse dia, porque eu realmente só viajava para ficar com ela, não o fazia somente para ver sua família apesar de gostar muito deles também.
No fim do dia, praticamente de noite, conseguimos ficar pouco tempo juntos. Ela até tentou compensar no domingo, mas também era um dia em que ela passava um bom tempo na igreja mas já estava acostumado com o domingo daquele jeito. Fui embora com a sensação de não ter namorada, não porque brigamos, tivemos uma conversa que me fez pensar em diversas coisas, inclusive no término, mas não simplesmente porque estava infeliz mas porque não queria vê-la infeliz. Sim, até mesmo nesse momento, que para muitos foi uma bobagem, eu queria vê-la feliz. Se todo o problema era o fato de eu não pertencer a igreja, dela não fazer tudo comigo porque eu não ia a igreja, precisava resolver essa questão.
Conversamos na segunda quase o dia inteiro e tocamos nesse assunto, tentei entender o que se passava, mas é claro que não havia nada de diferente, era o mesmo motivo de sempre, a minha ausência em sua vida religiosa, por mais que ela não admitisse. Eu até entendia em certo ponto, ver sua irmã, suas amigas, as outras mulheres que frequentavam a igreja com seus maridos, isso era muito doloroso pra ela. Como ela tinha um namorado e o mesmo não estava ali, postado à seu lado, orando e glorificando o senhor? É, isso foi motivo para discutirmos durante horas, a parte ruim é que foi pelo msn, coisa que não facilitou muito as coisas. Fui dormir pensando em toda nossa relação, em como as coisas estavam fluindo de forma negativa na vida dela. A tristeza que a consumia me matava, porque não queria vê-la infeliz e também não queria ficar infeliz. Tudo aquilo que alguns comentaram estava acontecendo, naquele momento, bem na semana em que completamos seis meses de namoro. Na realidade, não sei bem como isso durou tanto tempo, com todas as "complicações" que ocorreram durante esses meses e todas as opiniões contrárias em nossa relação. Era engraçado quando parava para pensar, os problemas que mais me incomodaram em outros namoros, eu não tive com ela. Ciúmes, obsessão e coisas do gênero não consumiram nosso relacionamento, não causaram nenhum atrito entre nós, apenas o famoso "papai do céu", na realidade, a minha descrença sempre foi o motivo de todas nossas discussões.
Na terça, não tinha tomado nenhuma decisão ainda, mas a coloquei contra a parede, perguntei se ela gostaria de seguir seu caminho, assim ela seria feliz provavelmente. Talvez assim ela conseguiria encontrar alguém da igreja, que a acompanhasse em suas missões, nos cultos e tudo o mais. Nada, não havia uma resposta concreta mas tudo que ela escrevia nos guiava para esse caminho, esse novo rumo que talvez tornasse sua vida mais fácil. Eu não conseguia me conformar com a forma de pensar dela, com o motivo que nos levara àquela briga, que do meu ponto de vista, era completamente insensata.
Fiquei extremamente puto com aquilo mas não queria brigar com ela, não conseguia na realidade, nunca consegui discutir de verdade, de forma normal com ela. Sua delicadeza sempre fizeram oposição as minhas maneiras normais, talvez o meu amor por ela fosse o real motivo de não querer brigar por nada. Mas mesmo assim prossegui, cobrei dela uma resposta para minha pergunta, queria saber se ela seria feliz comigo somente se eu a acompanhasse à igreja e nada. Diversos fatos jogados no ar, diversas coisas que fizeram com que meu lado racional começasse a funcionar, o emocional se apagou por alguns instantes e decidi ligar pra ela.
Assim que ela atendeu, perguntei o que ela queria, perguntei se queria terminar, se realmente seria melhor assim. Fiquei diversos minutos conversando, cogitando a hipótese de terminarmos para ela ser feliz a maneira dela e nenhuma resposta concreta me era dada. Em um determinado momento, não aguentando mais tudo aquilo, eu tomei a decisão, decidi terminar, porque assim seria melhor para os dois, porque não seria possível suportar um relacionamento à distância daquela forma. Mas foi o que aquela conversa me fez enxergar, que devíamos realmente acabar com tudo e seguirmos nossos caminhos separados, não havia mais amor que nos fizesse suportar aquilo que estávamos passando. Ela ainda tentou voltar atrás, me pediu para esquecer tudo que havia dito, para esquecer toda aquela briga, mas a essa altura não seria possível. Já sabia que mesmo que voltasse atrás na decisão, as coisas não mudariam, na realidade, talvez mudassem durante algumas semanas ou dias, até chegarmos novamente nesse ponto. Nos despedimos e desliguei o telefone.
Por mais incrível que possa parecer, chorei, chorei durante horas, não consegui dormir, não conseguia pensar em nada além do término. Fui trabalhar no dia seguinte, mal conseguia conversar, não comentei nada com ninguém. Depois de um tempo um amigo veio conversar comigo, em diversos momentos consegui derramar lágrimas no meio do escritório, coisa que nunca fizera antes. Talvez esse amor fora diferente da outra vez que senti amor na vida, talvez esse relacionamento tenha ultrapassado o que esperava. Sinceramente, não achei que pudesse amar alguém novamente, não acreditei que isso viraria o que virou e muito menos pensei que terminaria da maneira que terminou. Principalmente pelo motivo que me levou a sacrificar o namoro, mesmo sabendo que sofreria, sabia que seria melhor pra ela, pra mim também, mas principalmente pra ela. E era isso que importava, queria vê-la plenamente feliz, não bastava ser feliz, tinha que ser por completo.
Quero agradecer a todos que leram e tiveram paciência para esperar que eu continuasse a escrever. Sinceramente, no meio da história, pensei realmente em parar porque não vi mais sentido em escrevê-la, esse pequeno episódio de minha vida.
Algumas partes talvez tenham acontecido de forma um pouco diferente, mas coloquei tudo que lembrei e também consultei diversas conversas do msn, então a maioria das coisas aconteceram da forma como foram escritas.
Download da obra completa em formato pdf.

10 comentários:

  1. Te entendo Yama, isso que demostrastes, foi amor. O amor que se sofre, em prol da felicidade de quem se ama. Admirei-te.

    Falar sobre o passado faz bem. Quisera eu ter essa coragem.

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  2. Eu tinha que terminar essa história senão algumas pessoas me matariam. rs rs rs

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  3. Puxa vida, até que enfim finalizamos essa história rsrs.
    Triste o fim? Será?
    Nesses últimos capítulos nem eu não estava mais suportando a igreja dela!! Hahahaha.
    Bom, esteja aberto para novos amores e emoções, um dia quem sabe encontrará uma "atoa" também rsrs (do ateu, entendeu o trocadilho hum hum??) =P

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  4. Olha, eu juro que não finalizaria essa história, depois do penúltimo episódio tinha mesmo desistido de escrever.
    Mas aí, nessa bela noite em que decidi escrever, voltei só porque lembrei de você, da sua empolgação e cobrança, aí achei sacanagem não terminá-la. rs rs rs
    Então, eu não chamaria de um triste fim mesmo, acredito que tenha sido melhor, para ambos. rs rs rs Hoje, ela está casada, com uma menininha de 1 aninho e feliz. rs rs rs
    A igreja era um fato meio complexo no meio dessa relação, muito complexo.
    É, pensei em me "abrir" novamente, mas acho que é melhor permanecer na condição que me encontro. rs rs rs Quem sabe um dia...
    Beijão

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  5. Yama,opiniões são perigosas..mas lá vai.. Acredito que RELIGIÃO,como o nome diz,é p/re-ligar, a um ponto de crença que ,necessariamente,ñ precisa ser a de ambos.Mas esses casos são mais comuns do que vc imagina...Eu,particularmente, tbém ñ aceitaria ser obrigada a compartilhar p/agradar somente.É uma discussão longa,ñ caberia aqui.Mas concluo que vc agiu de forma correta,afinal o direito de "escolha" é uma dádiva,não podemos castrá-lo. #Bia

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  6. Fico muito feliz em ver suas opinião aqui! Realmente, por mais que amemos alguém, acredito que certas coisas não se mudam em nossas vidas. Principalmente coisas que dizem respeito a nossa forma de pensar, crenças e etc...
    Obrigado pela opinião querida!

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  7. Yama, acompanho seu trabalho a algum tempo gosto principalmente da sua sinceridade, está obra que escreveu demonstra muito, de seu caráter e personalidade, o que desejo e sucesso em sua carreira, sua jornada, e que realizações venham a cada dia acontecer mais.
    Sobre o relacionamento partido pelo o termo fé, sei que é bem atípico vive isso em minha vida deve ser sorte dos geminianos, enfim continue seu trabalho no blog/vlog, com todo o afinco que tem demonstrado.

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  8. Muito obrigado pelo comentário positivo, isso me incentiva realmente a prosseguir.
    Abraços

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  9. Este comentário foi removido pelo autor.

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  10. Linda sua historia de amor.vivi cada momento e choramos muito.amamos vc.


    by;Mae e pai da florzinha.

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