Apenas um passo.

Abismo.

Enquanto olhava para seus cabelos esvoaçando na brisa do mar, gritei inutilmente para você voltar. Não sei se não me ouviu ou simplesmente me ignorou, mas você deu um passo sem volta.

Era tarde, brigávamos por algo supérfluo, alguém que me deu um abraço que você não conhecia. Tudo bem, já não estávamos bem há um bom tempo, talvez mais de um mês, mas aquilo não era motivo para termos toda aquela discussão. Afinal de contas, nunca dei motivos para você se preocupar, apenas pelo fato de eu ser uma pessoa legal, não quer dizer que pense em te trair ou ficar com alguém que me acha legal.

Tenho você, só penso em você e se um dia desistir de nós, com certeza terminaria as coisas numa boa ou tentaria. Em todas as discussões sempre tento amenizar as coisas, sempre tento mostrar que estamos discutindo por algo sem sentido, talvez tenha mais sentido em sua cabeça, mas no mundo real onde há confiança, não faz sentido algum. Por que não pode confiar só um pouquinho em mim?

Deitamos de costas um para o outro, apesar de todo meu esforço para evitar isso. Você não quis me ouvir, simplesmente ignorou todos os fatos e colocou em sua mente que a sua verdade era a única válida naquele momento. Entendo seu lado, imagino um pouco como é ser uma pessoa possessiva, mas não entendo a sua insegurança, esse medo irreal que tem de me perder. Analise nosso caso com um pouco de sensatez e notará que não há motivos para traí-la ou simplesmente abandoná-la. Claro, se continuarmos com todas as brigas inúteis, um dia me cansarei ou você se cansará. Um dia me matará ou se matará.

Ah, levantamos, você me olha como se nada tivesse acontecido na noite anterior, acho estranho. Tento conversar sobre ontem mas você prefere esquecer, diz que devemos seguir em frente. Parto para cozinha, começo a preparar um café para nós, assim que sirvo a mesa, te chamo mas você não responde. Procuro em todos os cantos da casa e não te encontro, noto a porta aberta.

Saio a sua procura e te encontro na beira do penhasco, não é um lugar muito alto, dá vista ao mar, mas para alcançá-lo teria que dar um salto humanamente impossível. Chamo seu nome, mas você não se vira, apenas continua olhando para o infinito, como se nada mais existisse. Grito para você voltar, enquanto vejo seu cabelo esvoaçar com a brisa do mar, grito novamente e nada. Corro em sua direção mas você dá um passo antes que eu possa te alcançar. De repente, não vejo mais seu cabelo esvoaçando com a brisa, não vejo mais sua figura em lugar algum, chego até a beira e não tenho coragem de olhar para baixo. Me jogo de joelhos, questionando o porquê, questionando o motivo de não podermos conversar e resolver as coisas, questionando se essa era mesmo a melhor solução...

4 comentários:

  1. Ual! A cada texto novo, mais suspiros são arrancados de mim.

    Adorei! Gosto de textos assim, com um final que pode ser interpretado de várias maneiras. (Ou é apenas minha imaginação HAHAHAHA)
    Seus textos ao mesmo tempo que não tem muito da minha vida, tem tudo dela. Complexo, mas eu gosto bastante disso!

    Beijos! E não pare de escrever, faça uma moça do litoral feliz mais vezes! HAHAHA

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  2. \o/

    Olha, só mantenho esse blog por sua causa, acho que já te contei isso. Pelo menos, o "Na sua estante", mantenho por você, porque ainda acho que não sei falar de amor. rs rs rs

    Não foi sua imaginação, tentei fazer algo com diversas interpretações, mas talvez nem eu mesmo compreenda o que fiz. rs rs rs

    Beijão

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  3. sério Yama muito bom! me emociono de verdade parabéns!ps: sempre que poso do uma olhada no seu blog pra ler seus textos

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