Raiva?

Antes do pôr-do-sol.

Passamos um ótimo final de semana juntos, talvez muito melhor que esperava, queria mais, mas ele havia acabado e precisávamos retomar nossas vidas. Nos despedimos com um enorme aperto no coração e partimos, cada um para seu destino e sua vidinha monótona.

Não trocamos e-mail, telefone ou facebook, afinal de contas, ela é comprometida, estava noiva e se casaria em breve. Talvez esse final de semana fosse o único que teríamos, talvez esse fosse o melhor desfecho para tanto sentimento que desperdiçamos durante anos.

Sim, nos amamos há mais tempo que imaginamos, talvez esse amor tenha perdurado por décadas e depois de tanto tempo conseguimos consumir o nosso martírio. Tudo saíra praticamente perfeito, pelo menos do meu ponto de vista, talvez tenha falhado em uma coisinha ou outra, mas no geral, fora aquilo que esperamos por tanto tempo.

Não foi como um filme, não foi planejado e nem tão óbvio que devesse acontecer naquele momento, mas aconteceu e era o que importava para nós. Depois de alguns meses, recebi um e-mail dela, que conseguiu meu endereço com uma amiga em comum que temos. Pensei que nunca mais ouviria falar dela, afinal de contas, noiva...

O e-mail continha apenas uma data, um horário e um local. Se não fosse pelo seu nome estampado no endereço, não teria como saber que era dela, apenas fiquei olhando por alguns momentos aquele e-mail sem entender completamente nada.

Cogitei a possibilidade de não querer me encontrar com ela, mas achei que seria muito covarde de minha parte. Pensei em responder o e-mail, em questionar o porquê disso agora, depois de tanto tempo, por que ela queria me ver? Não estava para casar? Será que já não casou?

Um dia após o e-mail, continuei pensando se deveria ir, passei o dia pensando nisso no trabalho, o que me incomodou e me atrapalhou por alguns momentos. Pensei que ela poderia ter desmanchado tudo e que gostaria de ficar comigo, mas logo descartei a hipótese. Voltei a pensar em responder o e-mail e fazer todas as perguntas que gostaria, mas pensei na possibilidade de comprometê-la com minha resposta.

Talvez, eu devesse comparecer, como quem não quer nada, apenas conversar ou deixar a conversa fluir. No dia seguinte, continue pensando sem chegar a uma conclusão, até que o grande dia chegou. Saí do trabalho e fui em direção ao local que ela havia passado. Me sentei em uma mesa distante da rua, para que nenhum transeunte pudesse nos ver. Esperei por pelo menos 1h até que desisti e resolvi voltar pra casa.

Peguei a garrafa de uísque, coloquei uma dose satisfatória e fui para o sofá. Acendi um cigarro e comecei a pensar no porquê dela não ter aparecido. Será que não fui ao lugar certo? Impossível, havia um endereço e não apenas o nome do lugar. Será que ela não me viu na mesa? Improvável, eu tinha a visão da porta onde estava e não teria como não vê-la entrar. Meu celular começa a tocar, um número desconhecido, atendo...

- Alô.
- Oi, sou eu.
- Eu quem?
- A Paloma.
- Oi, tudo bem?
- Sim, acho que sim.
- E aí, o que houve?
- Tive algumas complicações e não consegui sair.
- É, a segunda parte eu percebi.
- Você ficou bravo. Me perdoe, juro que não foi por querer.
- Não, não fiquei bravo.
- Ah, ficou sim, eu sei. Não te conheço muito bem, mas o pouco que conheço me diz que sim.
- Não, quando amamos muito de alguém, não ficamos bravos com a pessoa.
- Ah, não?
- Não.
- Então, você ficou o quê?
- Chateado...
Inspirado no filme "Antes do pôr-do-sol".

5 comentários:

  1. Adorei, tão inspirador! Tão verdadeiro! Falta elogios para descrever. HAHAHAHAHAHA

    Ando meio ausente por aqui, mas entro todos os dias. É que eu estou com a corda no pescoço com o tempo, saiu muito cedo e volto muito tarde, então acabo lendo seus textos nos intervalinhos da vida, ou melhor, para almoçar!

    Não pare de escrever! Eu adoro, amo, sou loucamente apaixonada por esse pequeno espaço! E mais uma vez, esse texto, como os outros são deleitáveis!

    Beijos.

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  2. Ah, acho que esse texto não é digno de ótimos elogios ou comentários. rs rs rs

    Sei bem como é essa vida do não tenho tempo pra nada. rs rs rs Eu também ando com o tempo meio escasso e quando chego em casa, quero fazer tanta coisa que me enrolo e acabo não fazendo nada.

    Espero não parar de escrever, tento não parar, mas tem horas que não tenho mesmo sobre o que escrever. Claro, isso acontece muito porque evito assuntos corriqueiros do cotidiano, não quero transformar isso aqui em um diário. =D

    Beijão

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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