Morrer mais uma vez.

Pôr-do=sol.

Morro todas as noites e renasço a todas as manhã. Travo a mesma batalha todos os dias, como se vivesse dentro de um quadro ou em um eterno déjà vu. Se a vida for feita de escolhas, elas foram tiradas de mim. Já não sei mais quem sou ou o que sou. Não sei do que me alimento, nem mesmo sei se ainda sou um ser humano ou se viramos algum tipo de abominação alienígena.

Se vivesse nos tempos medievais ou em alguma história em quadrinhos, tudo faria mais sentido, viver o mesmo sempre. Algumas nuances ocorrem durante o percurso, mas no geral é tudo igual, tudo da mesma cor, sabor e odor. Se não morresse apenas metaforicamente, talvez tudo isso tivesse mais sentido. Como será morrer de verdade?

Após travar eternas batalhas, confrontar minha mente insana, até mesmo lutar contra meus ideais, vejo o dia se tornar noite num piscar de olhos. A mesma brisa me conforta ao final do dia, a comida já não tem gosto algum de tanta nicotina e o ato de tragar já não me dá prazer. Resta apenas morrer novamente para renascer no dia seguinte.

Mas antes disso, preciso visitar meu lugar especial, aquele mundinho fechado onde não cabe ninguém além de mim. Me concentro e penso em um mundo onde todos os problemas são simples, as soluções óbvias e o esforço é quase ínfimo. Um mundo onde poderíamos viver para sempre acordados, sem as horas passarem, sem o sol se pôr. E no meio desses pensamentos todos, morro mais uma vez...

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