Um outro encontro.

Encontros.

22h56.

Olho para todas as direções procurando você, talvez esteja presa no trânsito, talvez tenha esquecido ou está atrasada como qualquer mulher comum. Vou até o banheiro, olho para o espelho e abro a torneira. Deixo a água correr por alguns segundos, depois pego um pouco para jogar em meu rosto. Minha cabeça dói.

23h13.

Olho novamente para todas as direções, olho para a mesa que reservei para nós, pergunto na recepção se alguém veio me procurar e respondem que não. Começo a pensar no que pode ter acontecido, afinal de contas, nos encontraríamos às 22h, imaginei um pequeno atraso de 1h. Vou até o bar e peço um uísque, quem sabe assim minha dor de cabeça não vire um aneurisma.

Saio para fumar um cigarro com o copo na mão, continuo olhando de um lado para o outro. Pego o cigarro e não encontro meu isqueiro, olho para o lado e não vejo ninguém fumando. Merda, onde arrumarei um isqueiro agora? Não há nada parecido com um boteco ou qualquer outra coisa que possa vender um isqueiro por ali. Por sorte, a recepcionista do restaurante é fumante e saiu para dar umas tragadas. Ela me oferece o isqueiro, acendo lentamente o meu cigarro e percebo o quão linda ela é.

23h34.

Provavelmente aconteceu alguma coisa, contra todos os meus ideais, resolvi tentar te ligar e ouço apenas: "O número encontra-se fora da área de cobertura". Será que está em algum engarrafamento no meio de um túnel? Será que sofreu algum acidente e está perdida no meio do mar ou algum lago? Quando você namora a pessoa é muito mais simples, mas primeiro encontro sempre é uma merda, todos corremos o risco de levar um cano. Será essa minha primeira vez?

A recepcionista pergunta se estou aguardando minha namorada, respondo que não. Explico que é o primeiro encontro com alguém que conheci recentemente. Ela diz apenas: "Hum..." e pergunta: "Marcaram que horas?", respondo que às 22h. Ela dá um leve sorriso e diz que provavelmente ela não aparecerá,  termina seu cigarro e entra enquanto tento ligar novamente.

23h55.

Terminei minha terceira dose e já desisti do encontro. Ia pedir mais uma dose mas receio que o restaurante esteja fechando já que não tem mais ninguém dentro dele e todos estão arrumando as mesas e cadeiras. A recepcionista encosta as portas e segue provavelmente para se trocar e partir. Ela para um instante em minha mesa e diz que sente muito. Respondo que não estou chateado e que essas coisas acontecem. Ela pergunta o que farei e respondo que irei para casa. Ela diz que está saindo, que talvez pudéssemos ir a algum lugar para conversar e beber algo...

4 comentários:

  1. Faço posts "sem fim", apenas alguns trechos de algumas ideias que tenho.

    ResponderExcluir
  2. Já estou pegando vício pelo blog,acessando todos os dias para ver se você escreveu algo novo.E você ainda escreve um texto com a ideia de continuação.
    Agora eu quero parte um, dois e três. rsrs

    ResponderExcluir
  3. Eu sacaneio meus leitores. rs rs rs

    Então, a única vez que tive a ideia de criar uma sequência, ou um história em diversas partes, foi quando escrevi o livro "Minha pequena florzinha". Iniciei outro projeto que chamei de livro, mas desisti depois do primeiro episódio porque achei que seria necessário primeiro estruturar a história.

    Aí, passou um tempo, entrei em crise de abstinência criativa e desisti de escrever o que seria um segundo livro. Mas, resolvi me dedicar aos estudos gramaticais para tentar escrever, vamos ver se um dia consigo. rs rs rs

    ResponderExcluir