Reação.

Reação.

A vida passa rapidamente em sua mente quando sente que irá morrer. Em alguns segundos um projétil disparado por um ser qualquer, atravessará o seu peito, perfurará um de seus pulmões e te fará sufocar em seu próprio sangue.

Qual será a sensação de não poder respirar?

Inconscientemente, você luta para tentar se salvar, principalmente quando já não há escapatória. Normalmente, você não reagiria, afinal de contas, o único que é mais veloz que uma bala é o super-homem. Mas nessas condições, quando realmente não existe mais esperança, você pensa em fazer algo para tentar se salvar.

Estou a 30cm de distância da arma.

Olho para os olhos de meu oponente, em seguida encaro fixamente o buraco da arma.

É uma 9mm?

Não tive tempo de me despedir de meus sobrinhos, da minha mãe, irmãos, cunhadas... O que eles pensarão se eu morrer agora? Lembro de meu pai, sempre me aconselhando, ensinando coisas sobre a vida, mas ele nunca comentou sobre o que fazer em uma situação como essa. Aliás, em assaltos ele disse uma vez para não reagir, mas e quando a pessoa está aqui apenas para te matar?

Lembre de todos os vídeos de autodefesa que viu na vida. Afaste a arma para a parte externa da mão, não para a palma.

Ele não esboça nenhuma reação, não fala, simplesmente fica ali parado, me olhando como se fosse a peça mais rara do mundo. O que mais é necessário dizer após fazer todas as ameaças necessárias? Nada.

Vejo o dedo indicador tomar o espaço do gatilho, sinto uma gota de suor descer pela espinha, uma sensação de liberdade começa a tomar conta de minha mente. Devo morrer agora? Não, ainda tenho coisas a terminar, ainda preciso ver meus sobrinhos crescerem e quem sabe fazer um filho.

Agarro o cano da arma com a mão esquerda e viro a arma torcendo a mão do meu oponente.

A mente clareia, a audição mais aguçada e ouço um estrondo ensurdecedor. Olho para minha mão e vejo sangue, começo a pensar no que aconteceu, olho para frente e vejo o corpo do meu oponente caído ao chão. O relógio desacelera, a visão deixa de ser turva e o consciente toma novamente o seu devido lugar.

4 comentários:

  1. Nossa seus últimos contos estão muito mórbidos.
    A louca que coloca a lâmina no pescoço e que não se mata no final.
    No outro fala das pessoas que morrem com o passar do tempo (no conto imortalidade)
    E agora este, que já começa tenso.
    Talvez seja por isto que eu gosto.
    Mas eu ainda prefiro a categoria na sua estante. Lá mostra que no fundo, beeeeeem lá no fundo, existe um Yama fofo. rsrs

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  2. Quando voltei a abordar a morbidez na vida e passei a escrever ao invés de apenas fazer piadas ou comentar algo assim com alguém, decidi que seria a hora de criar uma nova categoria aqui, por isso nasceu esse tal de "Contos". rs rs rs

    Imagine se mantenho no "Cotidiano", onde pensei em fazer porque lá colocaria tudo que é coisa, tanto as do cotidiano, quanto os contos. Mas aí me dei conta que talvez soasse como se eu quisesse morrer e não é bem essa a ideia. rs rs rs Gosto muito de falar sobre morte, talvez por ter perdido o medo de morrer ou porque sempre achei um assunto muito interessante.

    Acho engraçado as pessoas procurarem algo fofo em mim, por que isso? rs rs rs As pessoas podem ser bem legais sem serem fofas, eu acho. rs rs rs Mas realmente, já fui uma pessoa extremamente fofa, na realidade, acho que continuo sendo assim, porque muitos dizem que me pinto muito torto pelas paredes dos cérebros alheios. =D

    E novamente, meu segundo agradecimento, muito obrigado por sempre acompanhar meu trabalho. Digo segundo porque o primeiro está filmado no vídeo de amanhã. =D

    Beijão

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  3. Acho interessante variar os assuntos mesmo. Para não ficar algo monótono.
    E pode ter certeza que continuarei acompanhando o seu trabalho. Aqui e no vlog.
    Grande beijo =]

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  4. Fico muitíssimo feliz e agradecido!

    Beijão

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