Falta.


Cada dia na sua ausência se torna um infinito abismo de emoções vazias e dores que dilaceram a alma. Uma imensidão de dor cresce a cada dia em meu peito e sinto a cada instante que preciso jogar fora antes que exploda.


Enquanto todos aguardam ansiosamente o final de semana, eu simplesmente vou ficando cada vez mais triste. Aquela sensação de alegria que transborda nas pessoas por chegar a sexta-feira não é algo que consigo compreender. Talvez porque para muitos seja diferente, muitos se divertirão, outros farão reuniões familiares, e eu só queria estar com você.

Toda saudade que senti na vida é pouco perante o que sinto hoje. Nunca imaginei ser possível sentir tanto a falta de alguém, sentir como se sua vida dependesse dela. É algo incompreensível para minha mente cansada da vida, aquela que se fechou para o mundo, para os sentimentos para ser mais exato. Aquela que com toda sua razão fazia com que o mundo fosse algo menos doloroso. Tornava a vida mais prática e simples, fácil de viver, fácil de aceitar certas coisas.

Mas quando a emoção resolveu tomar um pequeno espaço, fiquei preocupado, não queria deixá-lo entrar novamente nessa altura da vida. Fiquei com medo, não queria acreditar que a emoção havia retornado depois de tantos anos. Por anos reprimi qualquer sentimento, qualquer pequena fagulha que pudesse tornar-se paixão ou pior, amor. Tudo isso porque em todos esses anos soube o quanto se sofre por conta do amor, o quanto dói amar alguém verdadeiramente. Me abstraí dos sentimentos que de repente vieram a tona de forma inesperada.

Perguntei por diversas vezes: - Por quê?, não obtive resposta, essas questões nunca tem. Simplesmente acontecem, simplesmente chegam para tornar sua vida mais suave e ao mesmo tempo mais dolorosa. E a cada dia esse sentimento crescia, tomava forma, voltava a tomar seu lugar em meu coração. Aquele que já está gasto de tanto sofrimento, só não parou porque provavelmente ainda tenho algo para fazer nesta vida. Aquele que tanto pediu para que isso nunca mais ocorresse, estava tomado daquela sensação maravilhosa da paixão. Ah, como essa fase é boa, como sonhamos com dezenas de cenas, milhares de situações que talvez nunca aconteçam.

Passado algum tempo, não contente em trazer a paixão a tona, esse sentimento resolve que precisa crescer mais, engradecer o que já é imenso e traz de volta o amor, sim, aquele que luto contra há anos, a praticamente uma década, talvez mais. Sim, estou velho para isso, talvez. Não sei como, nem porquê, simplesmente me encontrei amando novamente, sentindo como se minha vida dependesse dela. Tudo passou a ter graça novamente, tudo passou a ser legal, passei a fazer coisas que não fazia. E não simplesmente para agradar, mas porque queria, não só por estar com ela, mas porque estava fazendo com ela.

Passear no shopping voltou a ser algo interessante, algo legal de se fazer. Entrar em lojas para ver roupas, tomar um simples sorvete sentado em um banco no meio de algum lugar. Ah, coisa de gente boba? Não, não pensei assim. Me sinto feliz ao lado dela, me sinto outra pessoa, o mundo está diferente.

Escrevo de trás para frente, não tenho início, nem meio e muito menos fim. Escrevo da mesma forma em que me encontro, perdido. Confuso. Com medo. Medo de me machucar, medo me magoá-la, medo de diversas coisas. Todos temos medo quando amamos, todos! Seja pelo mal que não deseja causar, seja pela mágoa que não quer plantar. Seja pelo simples fato de sentir um enorme buraco no peito quando se parte. Seja pelo tempo longínquo que separam suas almas. Seja pela falta do abraço, do beijo, dos carinhos e afagos. Seja pela simples falta de ver seu sorriso.

Ah como não queria estar aqui, como gostaria de estar em seus braços. Sentir seu cheiro novamente, o cheiro de seu cabelo e a maciez dele. Ficar olhando para você simplesmente por olhar, por te achar linda demais, por sentir falta de cada detalhe seu. Sinto falta de suas gargalhadas, seu riso torto, seu semblante quando levanta uma sobrancelha...

Quero preencher toda noite privada do sono com sua presença. Quero compensar cada abraço não dado e cada beijo não recebido. Cada elogio que não pude fazer, cada toque em seu rosto... Como sinto falta de tocar seu rosto...

XXVI.IV.MCMXCV

Escrito ao som de Lithium - Evanescence.

2 comentários:

  1. Quando eu crescer, quero escrever assim! Hahaha Me lembrou um livro que eu estava lendo antes de roubarem meu carro, provavelmente não vou saber se teve um final feliz, mas espero que por aqui tenha. Hahaha Adoro esse tipo de texto, gosto das palavras com "saudade" e um pouco de tristeza, me chama atenção e me causa imensa curiosidade. E isso é um belo sinal de que é um ótimo escritor. Beijos!

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  2. Ah, quem dera eu escrevesse tão bem quanto você acha. kkkkkkk

    Também espero muito um final feliz para essa história. =)

    Ah saudade é minha inspiração ultimamente e toda dor que sinto me faz soltar alguns textos bagunçados de vez em quando. rs

    Beijão

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